Único satélite natural da Terra e o corpo celeste mais brilhante durante a noite, a Lua é tão importante para o nosso planeta que é quase impossível nos imaginarmos sem esta grande esfera brilhando no nosso céu, nem que seja só metade ou uma pequena linha de sua superfície.

Características físicas

A Lua é um satélite natural do tipo planeta secundário, já que sua forma e composição se assemelham ao de um planeta. Possui cerca de 1/4 do tamanho da Terra e metade da gravidade dela. Sua atmosfera quase rarefeita é formada por hélio e hidrogênio, além de neônio e argônio.

Superfície da Lua

Superfície da Lua

A Lua orbita a Terra e seu movimento de rotação é quase sincronizado, por isso sempre se vê a mesma face do satélite. Sua distância do nosso planeta é de cerca de 384.000 km, e apesar de aparecer brilhante durante a noite, apenas reflete a luz do Sol.

Estrutura

A Lua possui uma grande crosta composta por óxidos, cal, sílica e alumínio. Assim como a Terra, possui partes do núcleo em estado líquido, e provavelmente na parte mais interna do núcleo encontra-se uma esfera de metal sólido, composto por ferro e níquel com um pouco de enxofre.

Fases da Lua

Aqui da Terra, podemos perceber que nem sempre a Lua apresenta uma forma redonda, inclusive há dias em que não é possível vê-la. Essa mudança de forma aparente acontece devido à sua posição em relação à Terra. A Lua tem seu próprio movimento de translação em relação ao nosso planeta, que combinado ao seu movimento de rotação faz com que ela fique sempre com a mesma face voltada para a Terra. Seu período de translação demora 27,3 dias, mas como a Terra também se move ao redor do Sol, a percepção disso ao longo das suas fases demora um pouco mais, cerca de 29,5 dias. A depender da posição da Lua em relação à Terra e ao Sol, sua aparência vista da Terra será diferente. São essas variações que chamamos de fases da Lua. Veja na imagem abaixo:

Esquema de fases da Lua

  1. Lua Nova – Nesta fase a Lua encontra-se entre a Terra e o Sol, e não é possível vê-la no céu em nenhum momento.
  2. Crescente – Fase em que o satélite já se aproxima mais da linha da órbita de translação da Terra. Nesta fase é possível ver de 3% a 34% da Lua no período da tarde e logo depois que o Sol se põe.
  3. Quarto Crescente – Fase em que a Lua já completou um quarto de sua trajetória em volta da Terra. É possível ver de 35% a 65% dela durante a tarde e metade da noite.
  4. Crescente Convexa – Nesta fase a Lua já está atrás da Terra e do Sol, porém não completamente. É possível ver de 66% a 96% de sua superfície durante grande parte da noite.
  5. Lua Cheia – É a fase em que a Lua está completamente atrás da Terra. Podemos ver praticamente 100% de sua superfície durante a noite inteira.
  6. Minguante Convexa: O satélite começa a se aproximar da linha da órbita de translação da Terra pelo outro lado. Assim como na fase crescente convexa, pode-se ver de 66% a 96% da Lua, mas na direção contrária. Aparece no fim da noite e fica visível até o começo da madrugada.
  7. Quarto Minguante: Assume a mesma posição e características da convexa, mas voltada para o lado oposto. Só é possível vê-la de madrugada.
  8. Minguante: Assim como na fase crescente, nesse estágio a Lua está quase entre a Terra e o Sol, mas no final de seu trajeto. Mostra-se voltada para o lado oposto em relação à crescente, e só pode ser vista no período entre o fim da madrugada e o começo da manhã.
  9. Lua Nova (outra vez): Neste estágio, a Lua completa uma volta inteira, porém, como a posição da Terra mudou graças à translação, ela demora um pouco mais até tornar-se visível, ou seja, até atingir novamente a posição de Lua nova.

O lado para o qual a concavidade da Lua se volta não se inverte apenas nas fases crescente e minguante, mas também é diferente se ela é vista do Hemisfério Sul ou do Hemisfério Norte. No Sul, ao ciclo inicia com a concavidade da Lua voltada para o lado direito e termina com ele voltado para o lado esquerdo. Já no Hemisfério Norte a situação é invertida.

Eclipses

A Lua não é perfeitamente alinhada à Terra, a órbita lunar está inclinada cerca de 5º em relação à rotação do nosso planeta. Este ângulo de diferença é o suficiente para tornar os eclipses fenômenos muito pouco frequentes. Um eclipse acontece quando a Terra, o Sol e a Lua estão alinhados, formando uma sombra. Os eclipses podem ser solares ou lunares, a depender de onde a sombra se projeta.

No eclipse solar, a Lua encontra-se entre o Sol e a Terra e sua sombra é projetada na superfície terrestre, causando uma escuridão momentânea em uma região. Os eclipses solares só podem acontecer na fase da Lua Nova. Já o eclipse lunar acontece quando a Terra encontra-se entre o Sol e a Lua, e a sombra do planeta é projetada em seu satélite, escondendo-o do céu momentaneamente. Os eclipses lunares acontecem em períodos de Lua cheia.

Ilustração explicando como acontece o eclipse lunar e o solar

Na Terra, durante um eclipse solar, a sombra da Lua parece englobar todo o Sol, ou pelo menos boa parte dele. Essa ilusão de grandeza da Lua se dá devido à distância do nosso planeta em relação aos dois corpos celestes. Apesar de o Sol ser muito maior que a Lua, sua distância faz ele parecer menor, e apesar da Lua ser menor que a Terra, como está mais próxima do planeta, tem-se a impressão de que Sol e Lua são do mesmo tamanho. Já nos eclipses lunares, um fenômeno peculiar acontece: após a passagem da sombra da Terra pela Lua, o satélite fica com uma cor avermelhada devido à difusão da luz solar pelas moléculas da atmosfera terrestre. Esse fenômeno é conhecido como “Lua de Sangue”.

Atração gravitacional e marés

A Lua possui um campo gravitacional devido à sua massa, e como está bem próxima da Terra, esse campo gravitacional influencia nosso planeta de algumas formas. A mais notável delas manifesta-se no fenômeno das marés marítimas, que sofrem influência tanto do campo gravitacional lunar quanto do solar, apesar da influência desse último ter só metade da força que o primeiro. Com o movimento de rotação, a posição da Lua e do Sol em relação à Terra faz com que as marés variem entre baixa e alta.

Lua e o homem

A Lua faz parte da realidade humana desde o dia em que a espécie surgiu na Terra. Além da passagem dos dias e noites, as fases da Lua foram as primeiras noções de tempo obtidas pelos humanos. Além do ciclo lunar ser usado como uma forma calendário, o satélite possui uma importantíssima participação na cultura, afinal é o corpo celeste que mais brilha durante a noite. A cultura romana associa a Lua à deusa da caça Diana; os índios tupi-guarani associam a Jaci, deusa da concepção e fertilidade; já os gregos tinham três deuses associados a fases diferentes da Lua. Muitos poetas já declararam seu amor à Lua, e alguns países têm o corpo celeste representado em suas bandeiras. Mesmo sendo corpos celestes tão diferentes, Sol e Lua trazem consigo significados opostos, respectivamente o de dia e o de noite. Muitos acreditam que a posição do satélite influencia nas colheitas e na fertilidade de homens e mulheres.

Os estudos do homem sobre a Lua começaram desde antes do século V a.c. e continuam até os dias atuais. Foi a partir da Guerra Fria que a exploração da Lua começou a se tornar mais séria. No ano de 1959, a antiga União Soviética lançou três sondas que cumpriram três funções importantes: elas foram, respectivamente, o primeiro objeto a se aproximar da Lua, o primeiro a pousar em sua superfície e o primeiro a tirar fotos do lado escuro. Somente no dia 20 de julho de 1969 os Estados Unidos conseguiram enviar o primeiro humano para o satélite. O astronauta Neil Armstrong, comandante da missão Apollo 11, foi primeiro homem a pisar na Lua.